Este pequeno artigo relata a viagem de três semanas, de dois instrutores
europeus de Hapkido tradicional até ao país natal desta arte, a Coreia.
Assim que aterrámos em Incheon Seoul sentimos logo de imediato toda
uma mística em volta do treino duro que iríamos encontrar nos próximos dias.
Após a longa viagem de cerca de 14h que nos trouxe até à capital coreana,
esperavam-nos ainda cerca de 180kms de carro até uma aldeia perdida nas verdejantes e silenciosas montanhas.
Ali apenas existe um riacho rodeado de casas de arquitectura tradicional coreana
e uns pré-fabricados em madeira criados para receberem anualmente instrutores.
Os dias começavam cedo com um pequeno-almoço tradicional coreano (arroz, carne, vegetais)
e logo de seguida se iniciava a caminhada até à montanha, com passagem pelo templo budista
da aldeia, sempre sob a orientação do Mestre Ju Eung Seo, 7ºdan Eul Ji Kwan / 6ºdan Taekyon,
sempre em excelente forma física e protagonista do programa "Fight Quest" episódio "Hapkido".
Dava-se então início ao treino matinal de condição física com corrida e
exercícios de trabalho de respiração no final.
Seguia-se depois a parte técnica específica daquele dia, e já com cerca
de 4 horas de treino voltávamos a descer em direcção a aldeia para recebermos o merecido almoço.
Após uma breve pausa a seguir ao almoço seguíamos para o dojang situado
nos pré-fabricados e voltávamos a mais uma sessão de treino específico que iria durar cerca de 4 horas.
Chegava então a hora de jantar e mais uma vez éramos deliciados com a gastronomia coreana
sempre muito picante e que como um dos mestres coreanos dizia "era mais um treino para nós".
Chegada a hora de dormir, já o corpo não respondia a qualquer estímulo tal era o
cansaço físico, mas com o espírito cheio de emoções, dormíamos no chão do dojang.
E assim sempre a este ritmo se foram passando alguns dias até que fomos visitados
por um Grão-Mestre 9ºdan de Hapkido Eul Ji Kwan da The Korea Hapkido Federation,
aluno do fundador do Hapkido, que veio ministrar-nos instrução durante alguns dias
e verificar se o nosso trabalho estava a ser bem realizado.
É simplesmente inacreditável como uma pessoa de 73 anos consegue ser tão ágil nos
seus movimentos e possuir tanta sabedoria. Além da parte técnica que nos transmitiu,
também tivemos a sorte de poder ficar a conhecer muito mais sobre esta arte e algumas
das velhas histórias que não constam nos livros.
Chega então um dos dias mais esperados o "dia de folga". Rumámos em direcção a Seoul
para conhecermos e nos encontrarmos com alguns dirigentes da Federação Mundial.
Após a chegada ao local fomos contemplados com um edifício enorme de arquitectura
tradicional e que no seu interior tinha um museu.
Acompanhados então por alguns mestres visitámos vários dojangs de grão-mestres de
Hapkido Eul Ji Kwan que ensinam em Seoul, e que sempre nos receberam de coração
aberto e prontos a deliciar-nos com chá coreano.
Houve ainda tempo para no centro de Seoul se fazerem umas pequenas compras em casas
de comércio tradicional, e pela primeira vez pudemos fazer uma rápida visita a um
ciber café para poder enviar emails para os nossos alunos e família.
Já à noite e de regresso à pequena aldeia perdida nas montanhas, o nosso pensamento
se fixava no dia seguinte, em que iríamos retomar os treinos.
Após mais uns dias de treino na aldeia fomos transferidos para uma cidade nas
redondezas onde os horários de treino se mantinham mas agora treinávamos em turma
acompanhados por alunos e instrutores coreanos.
Quando demos fé já só restavam dois dias até ao nosso regresso a Portugal e a França,
que foram ocupados com visitas a locais de cultura coreana, bem como a uma recepção
protocolar por parte do Mayor da cidade no seu City Hall, que muito se impressionou
com o nosso interesse no estudo do Hapkido e pela nossa estadia e que nos brindou com
um almoço num excelente restaurante típico coreano onde nos foi servida comida medicinal coreana.
Foi tambem um grande privilégio poder visitar o Comando da Policia de Jecheon atraves
dum oficial de Polícia tambem ele instrutor de artes marciais, que fez as honras da
casa e que no final me deu a honra de visitar um departamento muito especial o CSI.
Como resumo final desta jornada resta dizer que o Oriente ainda é o local místico e
cheio de energia positiva para todos os praticantes de artes marciais e que todos
os Instrutores e Mestres deveriam lá ir para melhor compreensão.